«Les (en)jeux de l’ombre ou le miroir troublé de l’écriture médiévale»


Autor Carreto, Carlos F. Clamote

Título Les (en)jeux de l’ombre ou le miroir troublé de l’écriture médiévale

Título revista/libro Sigila. Revue transdisciplinaire franco-portugaise sur le secret = L’ombre / A sombra

Año 2005

Volumen 16

Páginas 21-42


Resumen
Reconfortante ou ameaçadora, simultaneamente próxima e familiar e tão radicalmente diferente, fugaz, inapreensível e, no entanto, tão constante, a sombra integra um ambíguo e poderoso imaginário. Enquanto véu que dissimula e protege os mistérios do sentido, foi por vezes elevada, durante a Idade Média, ao estatuto de metáfora exemplar da actividade exegética e literária. Para Santo Agostinho, por exemplo, emerge frequentemente como projecção da littera que turva e obscurece o significado, tornando-se assim, no universo da representação, análoga a todos os simulacros que impedem a revelação da verdade. Quando, no seio das mutações que caracterizam a civilização medieval dos séculos XII e XIII, o império dos signos ameaça mais do que nunca a ordem simbólica, a imagem da sombra volta a surgir em força como emblema paradoxal dos efeitos especulares e enganadores que os signos produzem à superfície da escrita ficcional. O Lai de l’ombre de Jean Renart constitui sem dúvida um dos exemplos mais eloquentes desta poética do reflexo

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