«Dizer o amor na ficção medieval. Fragmentos de uma palavra (im)possível»


Autor Carreto, Carlos F. Clamote

Título Dizer o amor na ficção medieval. Fragmentos de uma palavra (im)possível

Título revista/libro Sigila. Revue transdisciplinaire franco-portugaise sur le secret = Confessions / Confissões

Año 2000

Volumen 5

Páginas 89-105


Resumen
Em pleno século XII, numa altura em que a lírica, vários lais bretãos, alguns tratados sobre a cortesia e muitos outros textos ainda continuam a fazer do segredo o número da harmonia universal e a condição fundamental para a vivência do amor, a narrativa cortês (com Chrétien de Troyes ou Marie de France, por exemplo) sugere uma realidade diversa, passando a insistir sobre a natureza potencialmente ameaçadora e mortífera do segredo enquanto desordem interior, fechamento, ruptura. Deixou, portanto, de se impor como a Lei irrevogável do amor, deixando o lugar à instância da palavra, uma palavra que, de cada vez mais, tende a invadir os vários domínios do saber (do poder), perscrutando incansavelmente o espaço, incómodo e perturbador, do segredo. Mas quando o amor incarna no acto da sua confissão (interior ou dialogada), depara-se inevitavelmente com a inefabilidade do desejo que o sustenta. Leva então a linguagem a explorar os seus próprios limites, engendrando uma tensão da qual irrompe, em todo o seu esplendor, a própria palavra poética

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