«Res publica, res sacra. Notas sobre as formas de presença da noção abstracta de Estado, na Idade Média»
Autor Antunes, José
Título Res publica, res sacra. Notas sobre as formas de presença da noção abstracta de Estado, na Idade Média
Título revista/libro Revista de História das Ideias. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. “República”
Año 2006
Volumen 27
Páginas 41-65
Resumen
Defende-se que a noção abstracta de Estado, na ideia de «coisa pública», Res publica, no sentido de propriedade comum a todos, em que cada um deve participar e de que nenhum cidadão é exclusiva e pessoalmente titular ou responsável, concebida pelos filósofos gregos e concretizada pela cidade greco-romana e pelo Império romano não desapareceu na Idade Média. Permaneceu subjacente, não só à Igreja católica romana, definida por alguns Padres da igreja como a universal respublica christiana, mas também entre alguns povos, como os visigodos ou os carolíngios, sob uma forma diferente. A noção está ainda presente em muitas teorias dos pensadores medievais, não só quando defendiam que o rei tinha dois corpos (um natural, outro político) ou era uma pessoa geminada dotada de um «supercorpo real»; mas também quando afirmavam que o rei era uma «pessoa pública» e «mista», pai da lei e simultaneamente ministro e filho da Justiça; ou que para além da coroa material e visível, de que era detentor, existia a sacra coroa invisível ou um «corpo político do Estado», sob a concepção de um corpus respublicae mysticum
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