«Uma definição identitária para os caminhos portugueses tardo-medievais de Santiago de Compostela? Dois casos que convidam à reflexão crítica»
Autor Lopes, Paulo Catarino
Título Uma definição identitária para os caminhos portugueses tardo-medievais de Santiago de Compostela? Dois casos que convidam à reflexão crítica
Título revista/libro Ad Limina
Año 2020
Volumen XI
Páginas 61-84
Resumen
A partir da análise de dois casos de peregrinação, a levada a cabo pela Rainha Santa, em 1325, e a efetuada por D. Manuel I, em 1502, considerados símbolos da peregrinação jacobeia e do próprio caminho português para Compostela, o artigo procura refletir sobre o caráter identitário dos caminhos portugueses de Santiago de Compostela no período tardomedieval. A peregrinação de Santa Isabel, em 1325, teve lugar depois da morte do rei D. Dinis de Portugal, tendo a rainha chegado a Compostela a 25 de julho; o relato da peregrinação é reproduzido na biografia anónima do séc. XIV, Livro que fala da boa vida que fez a Raynha de Portugal, Dona Isabel e seus bons feitos e milagres em sa vida e depois da morte. A rainha Isabel recebeu as insígnias próprias da peregrinação, como o bordão que também foi representado na estátua jazente do seu túmulo. Em torno da sua figura surgiu uma rica tradição lendária, sendo que algumas destas lendas se prendem com a peregrinação compostelana. Segundo o autor, a peregrinação da rainha Santa Isabel assumiria duas funções: seria reflexo da reputação da devoção jacobeia no reino português e reforçaria a identidade de Portugal como parte integrante do caminho de Santiago (p. 70). Assinala-se ainda que biógrafos e cronistas atribuíram à rainha uma segunda peregrinação, no ano jubileu de 1335, talvez com origem numa referência existente na Crónica de D. Afonso IV, de Rui de Pina. No que se refere às motivações da peregrinação realizada pelo rei D. Manuel I, a crónica de Damião de Góis apresenta-a como um ato de agradecimento pelo êxito nas Índias, mas, segundo o autor, a viagem poderia ter também sido estimulada pela grande devoção do rei, imerso num espírito messiânico e no ideal de Cruzada, tendo ainda em consideração que Santiago foi relacionado com o processo da Reconquista cristã
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